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quer_9 passos para resgatar sua atenção

 

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Pra começarmos da melhor forma possível, pensamos em focar no que é mais valioso: o tempo. Vamos juntos fazer um resgate de como usamos o nosso? Com base em leituras, estudos, experimentos pessoais e relatos da nossa comunidade, reunimos 9 passos para fazermos isso juntos. Caberá a você decidir quais têm mais a ver com o seu momento ou com seus desafios.

A verdade é que a distração sempre foi e sempre será um desafio para todos e, também, parte da vida. Já na década de 1970, o economista Herbert Simon afirmou: “A riqueza de informação cria pobreza de atenção, e com ela a necessidade de alocar a atenção de maneira eficiente em meio à abundância de fontes de informação disponíveis”. No entanto, as distrações de hoje parecem ainda mais impactantes. E não é por acaso. O volume de dados criado nos últimos é maior do que a quantidade produzida em toda a história da humanidade. Em um mundo de excessos, é realmente difícil priorizar o que é importante de verdade. Repensar a forma como usamos nosso tempo na internet e nas redes sociais é fundamental para termos mais foco neste ano que começa.

A seguir, vamos descrever em 9 passos alternativas para que você possa resgatar o seu tempo e a sua atenção plena. Porque refletir sobre como gastamos nosso tempo faz parte da construção da #ainternetqueagentequer!

Excesso e Vício: quais as diferenças?

Por mais que a gente já saiba que #temhorapratudo, muitos de nós ainda usamos nossos celulares além da medida que gostaríamos.

Mas será que isso quer dizer que somos viciados? Rodrigo Nejm, psicólogo e diretor de educação da ONG @safernetbr, traz uma mensagem relevante pra gente: “É importante diferenciar o uso excessivo, empobrecido, problemático de um caso de dependência, de vício. Banalizam dizendo ‘tá todo mundo viciado’. Dependência e vício são palavras muito fortes”, diz ele, citando que sim, há casos clínicos de uso grave. “Antes tinha bingo, álcool. Uso compulsivo pode ser aplicado a vários objetos. No mundo hiperconectado há pessoas assim, mas é diferente de quem usa mal, de maneira excessiva. Tem tons de cinza aí.” Ele ressalta que quando apontamos como vício algo que não é, corremos o risco de gerar um problema maior. “Às vezes é falta de oportunidade de se conectar com outro grupo de interesse.”⠀⠀⠀

Um estudo comprovou que a forma como pensamos pode ter o mesmo impacto que uma dependência física quando o assunto é a transformação de um hábito. Ou seja: pensar que você é “viciado” em tecnologia pode cooperar para um cenário assim.

Então que tal mudarmos nossa perspectiva sobre o assunto?

Transformar um uso empobrecido do digital em uma experiência mais rica parece algo muito mais possível de se fazer, não acha?

Conheça os seus gatilhos

Pode não ser fácil assumir, mas a verdade é que o problema do excesso de tempo de tela é mais profundo do que imaginamos.

E não tem só a ver com tecnologia. Muitas distrações vem de gatilhos externos: notificações, sons, vibrações e bolinhas vermelhas. Mas e os gatilhos internos, de onde eles vêm?

“O que consideramos impulsos irresistíveis são na verdade convites enviados por nossas mentes. Esse é um insight importante”, afirma Catherine Price, no livro “Celular: como dar um tempo”.

Você conhece seus gatilhos internos? O que te faz desbloquear a tela do telefone dezenas de vezes ao dia ou muitas mais do que gostaria? É quando você sente um pouco de tédio? Ou quando quer evitar alguma tarefa desagradável ou desafiadora? Será que é pelo desejo de escapar uma realidade que não está te fazendo bem?

Seja quais forem os nossos gatilhos, é hora de buscarmos conhecê-los e, mais do que isso, nos familiarizamos com eles.

Procure prestar atenção no desconforto que precede sua busca pelo celular. Se puder, escreva sobre ele e explore suas sensações. Experimente ficar um pouco com esse sentimento antes de atender à sua vontade de escapar.

Como controlar os gatilhos externos

Agora é hora de pensarmos sobre gatilhos que são um pouquinho mais fáceis de controlar: os externos.

Mas o que são gatilhos externos?

Gatilho externo é tudo que te atrai a estar constantemente conectado e que desvia a sua atenção: a notificação de um like, um app te dando bom dia, um aviso que pula no seu desktop e até a presença do seu próprio celular constantemente perto de você. Algumas notificações são realmente importantes – ninguém quer perder a hora de uma reunião ou a ligação de alguém que se ama. Mas podemos concordar que a maioria delas não precisa da nossa atenção imediata, não é mesmo?

Chegou a hora de usarmos as configurações dos nossos gadgets a nosso favor: gaste um tempinho editando as suas notificações. Dá pra editar as dos aplicativos, as do próprio telefone e as do computador também! Quando tiramos um tempo para pensar no quanto e em como estamos conectados, conseguimos fazer pequenas mudanças que ajudam no nosso dia a dia, chegando a um estágio de bem estar digital. Entender que #temhorapratudo é a chave para isso.


Criando uma rotina digital positiva

Talvez um dos aspectos mais desafiadores da vida seja aprender a ser nossa própria prioridade. É fácil sucumbirmos às demandas dos outros: da família, dos amigos, do trabalho, do mundo que nos exige tanto, da internet. Mas toda mudança começa na gente, né? Criar espaço para nós mesmos é urgente – e o quanto antes nos atentarmos a isso, melhor. Para onde vão nosso tempo e nossa atenção quando a internet e as redes sociais são desenhadas para nos esquecermos deles? Já pensou em criar uma rotina digital em que você aparece em primeiro lugar?

Há tarefas básicas para ter uma rotina digital mais positiva. Acordar e não olhar o celular deveria ser o básico. Caso contrário, já começamos o dia com um bombardeio de informações – e corremos o risco de achar que perdemos alguma coisa enquanto estávamos fazendo algo tão essencial como ter uma boa noite de sono. ⠀⠀⠀

Antes de dormir, aliás, também vale experimentar um tempo sem telas. Que tal começar a desligar uma hora antes de deitar? Vale, também, deixar o celular carregando em outro cômodo, pra não correr o risco de acordar de madrugada e dar aquela olhadinha.

No resto do dia, será que vale mesmo ficar com o email aberto, ou é mais eficiente checá-lo menos vezes e responder tudo de uma vez? Sobre notificações, que tal desabilitar todas (ou a maioria delas) e passar a checar os conteúdos no seu tempo, e não no tempo do outro? ⠀⠀⠀

Cada um vai desenhando a rotina digital que mais faz sentido, tendo em vista que essas atitudes são paliativos. O que precisamos fazer mesmo é entender que um modelo baseado na nossa atenção está fadado a nos deixar esgotados e nos achando insuficiente.

Decida quanto tempo você gostaria de passar online e limite o tempo

A decisão de quanto tempo gostaríamos de passar online muitas vezes não é nossa. Muitas profissões têm demandado uma disponibilidade quase integral para o trabalho. Nossas relações pessoais às vezes acabam caindo no mesmo ritmo, e não responder uma mensagem com agilidade já se torna motivo de preocupação.

 Para conseguir ter um pouco mais de controle sobre essas tendências, é preciso atenção e consciência. Afinal, #temhorapratudo

Pra começar: você já olhou nas configurações do celular, em algum app como o Moment ou aqui no Instagram quanto tempo passa online? Se já fez isso, se assustou-se com o resultado? Bem-vindo ao clube.

 Depois de entender a sua quantidade, você consegue imaginar qual é a porcentagem que está usando para o que é realmente importante ou necessário versus para o que é um uso automático e superficial?

Diante desses fatores, sabemos que limitar o tempo que passamos online é dizer para nós mesmo quem está no comando. Cal Newport, autor de “Digital minimalism”, defende que precisamos fazer a resistência da atenção. “Os minimalistas digitais obtêm uma satisfação significativa de seu compromisso geral de terem mais intenção sobre como se envolvem com as novas tecnologias.”⠀⠀

Nessa jornada para usar o tempo com mais consciência, tem quem delimite períodos específicos para navegar ou para responder mensagens no WhatsAapp, por exemplo. Para outras pessoas, o mais importante é ter pelo menos as primeiras horas da manhã e as últimas horas da noite, antes de dormir, longe das telas. Criar um limite de horário e um estilo de uso pode fazer muito bem pra você. Já experimentou?

Qual a qualidade do conteúdo que você está consumindo?

Para além da quantidade de tempo que passamos online, é fundamental pensarmos na qualidade do que consumimos. O digital faz parte das nossas vidas intensamente. Passamos muitas horas na internet e nas redes sociais – e claro que isso tem impacto na nossa saúde mental, nas nossas relações, na nossa vida em sociedade. ⠀⠀⠀

Como é seu feed? É diverso, plural, te inspira? Ou te deixa com angústia, com sensação de que poderia fazer mais, até meio paralisado? Quando você sai das redes, qual é a sensação que fica?

Clay Johnson, autor de “A dieta da informação”, defende que precisamos aprender a nos nutrir digitalmente. Ele faz um paralelo entre comida e informação. Do mesmo jeito que gostamos de comer algo rápido e prático, abrimos um portal de notícias e clicamos em uma tragédia, uma polêmica. No fim do dia estamos saciados? Ou estufados, sentindo indigestão? Da mesma forma que buscamos uma alimentação saudável e mais equilibrada, precisamos fazer isso no ambiente virtual também.

“Esse é o maior problema de primeiro mundo que existe. ‘Minha caixa de emails está lotada’, ou ‘Não consigo lidar com todas as atualizações de status e tweets’ são enunciados comuns da elite digital. Apesar de reclamarmos sempre disso, a verdade é que a informação não está exigindo que você a consuma. Ela não pode. A informação não é mais autônoma e não tem a habilidade de forçar você a fazer qualquer coisa, desde que você esteja ciente de como ela o afeta”, afirma Johanson.

Para viver no Brasil, precisamos intercalar notícia com  meme, sabemos. Precisamos lembrar, também, que sempre vai existir mais informação do que damos conta de absorver. É bom dar tempo pra digerir. E aprender a fazer pausas no caminho, pois são elas que nos deixam saciados e nos permitem fazer conexões, associações e descobertas.

Acordos de tempo

A mais valiosa das nossas moedas parece ser a mais fácil de desperdiçar: nosso tempo. Quem começa a pensar sobre como está usando o seu logo vai encontrar um impasse. Torna-se necessário criar novos acordos sobre tempo e disponibilidade, tanto no trabalho quanto nas relações pessoais. Se não pensamos sobre nosso tempo, respondemos a estímulos externos a todo tempo. Interrompemos o trabalho para acompanhar um meme no grupo dos amigos, perdemos a concentração em uma tarefa importante para atender a demandas menos importantes que surgem no meio do caminho e por aí vai.

O que muitas vezes não nos damos conta é que o preço de cada interrupção é alto. Um estudo da Universidade da Califórnia em Irvine mostrou que, após ser interrompido em uma tarefa, demora-se em média 23 minutos e 15 segundos para voltar para onde você estava. Outros estudos mostram que sua eficiência cai em média 40% e que nossa memória de longo prazo e criatividade também sofrem nesse processo.

O que podemos fazer diante desse contexto?

Acreditamos que o primeiro passo pode ser conversar sobre isso – com os amigos, com a família, no trabalho. Na sequência, começar a criar novos acordos com suas principais fontes de interrupção.

Respeite o tempo do outro 

Não é porque estamos online que precisamos estar disponíveis o tempo todo. Precisamos, urgentemente, falar – em casa, no trabalho e com os amigos – sobre como o digital impulsiona vivermos em um mar de falsas urgências. Tudo é para ontem. Mandou um email e não teve resposta imediata? Cobra no WhatsApp. Em meio a excessos, esquecemos que a nossa urgência pode não ser a urgência do outro. E mais: quando tudo é urgente, o que é de fato perde a sua força. Precisamos reaprender a separar o que é urgente do que é importante.

“Comunicação assíncrona” é o termo que descreve o funcionamento do WhatsApp. Você fala algo, e a resposta pode vir ou imediatamente ou no tempo da outra pessoa. Não é como no telefone, que seu interlocutor precisa responder na hora. O problema surge quando tratamos a ferramenta como instantânea. Queremos para agora uma resposta que, muitas vezes, não é tão urgente assim. Nos apoiamos no imediatismo e, muitas vezes, deixamos de lado a organização.

Estamos acelerados e correndo e cansados. Chegamos ao fim do dia sem forças. Só para recomeçar no dia seguinte. Imagina que impactante seria fazermos um combinado coletivo de respeitar não só o nosso tempo, mas também o tempo do outro? Online e offline? Antes de “mandar um áudio porque é mais fácil” (spoiler: só é mais fácil pra quem manda), vamos lembrar que do outro lado também tem alguém tentando lidar melhor com essa vida acelerada? E que, se a gente respeitar o tempo e o espaço do outro e ele fizer isso conosco, a chance é que todos nós passemos a respirar melhor?

Vale a reflexão: O que você pode fazer (ou deixar de fazer) para contribuir para uma cultura de interações menos aceleradas e mais organizadas?

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