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Claro que sempre tivemos líderes com os quais nos inspirávamos, mas a democratização característica do digital também ampliou esse contexto. Não são mais só as grandes personalidades que nos dão uma direção, a pessoa comum agora também exerce esse papel. Seguimos tentando nos entender e nos adaptar a essas novas realidades, muitas vezes sem muito tempo para reflexão. Parar um pouquinho para entender o papel da influência no digital e nas nossas vidas é importante. ⠀

O papel da influência sobre nós: estamos todos iguais?

O quão influenciáveis somos? E qual é o impacto da influência no nosso modo de pensar, viver, viajar e até na aparência – dos nossos corpos, rostos, casas? Não há como negar que estamos cada vez mais parecidos, cada grupo em sua bolha. Tanta referência visual não passa imune por nós, e assim até o diferente passa a ter uma estética particular que se repete. Da foto que tiramos em uma viagem, de como escolhemos decorar nossas casas a até como queremos que a nossa aparência se modifique, muito passa pela influência do que vemos nas redes sociais.

Na década de 1950, foram realizados os “Experimentos de Conformidade de Asch”, estudos que demonstraram significativamente o poder da conformidade nos grupos, ou seja, nossa forte tendência de aceitar até mesmo uma situação incômoda ou desfavorável sem questionamento nem luta. Para a maioria de nós, é muito importante pertencer a um grupo. Talvez seja essa a característica humana que mais beneficia os influenciadores. ⠀⠀⠀

E a verdade é que muitas vezes não há nada errado em confiar ou se deixar influenciar por outras pessoas. Precisamos fazer isso a todo tempo, pois é impossível sermos especialistas ou cultivarmos uma opinião sobre tudo. Mas é igualmente importante aprimorarmos nossa capacidade de nos mantermos firmes diante da multidão, de nos desconectarmos um pouco de tanta opinião e de pensarmos por nós mesmos. A história nos comprova que as ideias, mesmo as melhores, envelhecem. É preciso ter a mente fresca e aberta para perceber quando é necessário mudarmos de rota. ⠀⠀⠀

Com a influência do digital, pode ser difícil separar o que é genuinamente nosso e o que é o fruto de uma influência. Como é o seu caso, você se sente muito influenciável? Já conseguiu ir contra a opinião da maioria mesmo em situações difíceis? Você reserva um tempo para estar offline e decidir por si próprio, sem tantas influências?

A influência fora da internet

Se tem uma coisa que fazemos com facilidade é passar horas nas redes sociais, vendo infinitamente o feed, não é mesmo? Cada post, cada série de stories, cada IGTV podem causar diversas sensações em nós. Tem hora que nos informamos, em outras nos divertimos, em mais algumas comemoramos as conquistas de alguém de quem gostamos. Uma avalanche de informação que, queiramos ou não, tem o poder de nos influenciar. Se aprendemos a usar bem, ótimo. Se não, podemos cair numa espiral de comparação, ansiedade, entre outros sentimentos, né?

Para além da internet, o que te influencia? Qual foi o último livro que você leu? O que ele te deu de insights? Na vida offline, quem são suas referências? Quem são as pessoas que você procura quando quer um conselho sobre sua carreira, ou quem é a amiga que tem sempre uma frase certeira pra dizer? Como você tem aproveitado a sua cidade? Tem ido a exposições, shows, eventos culturais? Você também tem tentado aprender sobre um assunto para além de um post, mergulhando em uma pesquisa sobre o tema?

O digital nos distrai a cada vez que rolamos a tela pra baixo para que ela seja atualizada. A cada notificação também. É importante entendermos que tem hora pra gente pegar toda essa influência aqui mesmo – e que tem hora que nós precisamos de novas referências, pessoas, lugares. Assim nosso repertório se amplia, e nossa cabeça e nossa criatividade se expandem. A gente adora usar o digital para aprender e nos inspirar, mas sem esquecer que existe uma infinidade de conhecimento que está no offline também.

A grama do vizinho nem sempre é mais verde

Se você tiver que escolher uma só palavra para definir um efeito colateral que sente ao acompanhar a vida de influenciadores, qual seria?

 Para nós, comparação. Claro que recebemos altas doses de inspiração, mas é muito difícil o efeito positivo não ser acompanhado do negativo. A frase que ilustra este post já diz tudo: comparamos as nossas vidas (que conhecemos cada detalhe) com as vidas de estranhos (que só vemos nos momentos mais incríveis). Não é difícil perceber que essa equação nunca vai dar muito certo pra gente, né? Se você tem trinta e poucos anos ou menos, você nunca viveu sem o impacto do Photoshop, que completou 30 anos recentemente. Então não é só com os melhores momentos que nos comparamos, mas também com imagens que nem completamente verdadeiras são.

 O antídoto para esta comparação desleal parece estar ao alcance de todos nós: o equilíbrio de tempo offline. Quando somos próximos de alguém que nos inspira percebemos que mesmo os amigos que nas redes sociais parecem viver a vida perfeita também tem seus desafios, exatamente como nós. Aquela viagem maravilhosa? Teve perrengue assim como a sua. A selfie impecável? Você presenciou as 20 tentativas antes de conseguir uma boa. A carreira em ascensão? Você sabe quanta dedicação está envolvida. Nos conectarmos para além do online faz com que deixemos de ver só os pontos altos da vida das pessoas e passemos a entender que todos temos uma experiência completa: cheia de alegrias, decepções, tudo junto e misturado. Ainda bem. 

Irritagram: o que é e como lidar?

Sabe quando você vê tantos stories que começa a julgar a vida alheia e a se irritar com bobagens? Pois então. Conheça o Irritagram. Uma modalidade da rede social que acontece quando você fica um pouco saturado de ver tanta coisa repetida. Seja um livro que parece que está sendo lido por tudo mundo, seja até um formato de sobrancelha – quando foi que começou essa corrida por termos até rostos parecidos? O Irritagram acontece também quando vemos alguém sendo muito perfeito – ou falso mesmo. Faça o que eu posto mas não seja como eu sou na vida real, entendem o sentimento?

Daí você pode perguntar: e por que você não para de seguir? Seria simples, mas há mais complexidade nas nossas emoções do que diz nossa vã filosofia de internet. Faz parte do Irritagram sentir bode às vezes. Depois tudo volta ao normal. Quem sabe a gente mesmo pode dar bode no outro, né? Vai entender.

Por que gastamos tempo com o que já sabemos que não é benéfico para nós? Por que seguimos nos irritando com determinados conteúdos?

Um texto da @thecut cunhou o termo “unfluencers” (algo como desinfluenciadores), que são pessoas que fazem com que você se canse de coisas que costumava gostar.

A autora fala que gostava de plantas em vasos de cerâmica, de uma determinada escritora e de um determinado tipo de café, mas de tanto ver pessoas que ela segue falando dessas coisas ela percebeu que estava de bode (e pediu pra deixarem em paz o drink que ela adora tomar). Ela faz uma reflexão interessante: esses conteúdos que nos chamam a atenção e nos irritam de vez em quando acabam, de uma maneira torta, fazendo com que a gente entenda um pouco mais sobre nós mesmos. Porque é aquela máxima; geralmente o que nos irrita é alguma coisa pra qual estamos precisando olhar.

O guia da má influência

Reunir muitas fontes de inspiração é uma das características mais especiais do Instagram. Acompanhando perfis que nos influenciam positivamente somos capazes de mudar muitas ideias e hábitos para melhor em nossas vidas! Mas infelizmente a linha entre uma influência positiva e outra negativa não é tão clara como gostaríamos. Como identificar o que nos influencia negativamente então?⠀⠀

Separamos a seguir algumas ideias para refletirmos juntos. Confira:

   – Se observe: 

Se você começar a sentir que precisa mudar muitas coisas em si mesmo –a sua aparência, como se comporta ou que tipo de conteúdo produz- talvez seja a hora de mudar de influências.

  – Cuidado com as inspirações inalcançáveis:

Se sente que a inspiração é impossível de ser alcançada –talvez você possa encontrar perfis com vivências mais próximas da sua.

  – Atenção aos sinais:

Se começar a sentir preconceito ou vontade de censurar um determinado tipo de pessoa ou comportamento, talvez você possa encontrar perfis que possam expandir sua compaixão e sua mente.

  – Consumismo:

Se um ou mais perfis te dão constantemente vontade de consumir cada vez mais coisas de que você não precisa –talvez você possa encontrar fontes que estimulem mais experiências do que compras.

  – Sentimentos:

Se o perfil passa a te dar uma visão de mundo deslocada da realidade e te faz sentir constantemente pessimista ou desconectado do sofrimento que ainda existe, talvez você possa encontrar perfis que te mostrem tanto o lado positivo quanto o negativo;

  – Sentimentos (aqueles que não gostamos):

Sentir inveja, frustração ou até mesmo raiva é comum. Mas se algum perfil te leva a esses sentimentos constantemente, talvez seja a hora de deixá-los para trás

Checklist da boa influência

Quando o assunto é influenciadores, geralmente pensamos: “qual influência quem eu sigo têm sobre mim?” Mas também achamos muito importante nos questionarmos: “qual é a influência que eu tenho sobre quem me segue?”.

A extensão da influência no digital é ampla, e você, mesmo tendo “poucos” seguidores, também influencia quem te segue. Por isso achamos que tem hora para também refletirmos um pouquinho se estamos desempenhando este papel de uma forma positiva e consciente. Separamos no álbum um checklist de questionamentos que consideramos pertinentes! Como estamos todos aprendendo, com certeza já fizemos um (ou todos) da lista. Mas o ponto de mudança é sempre o agora.

O poder da micro influência

Hoje quando falamos sobre influência parece que a palavra se refere apenas ao território do digital.

Outro equívoco de percepção é que precisamos ter milhares de pessoas nos acompanhando para influenciar de verdade. Natural, já que hoje em dia tantos parecem ter milhões de seguidores. Só que essas percepções podem nos limitar. A influência no digital é muito especial, mas e a influência fora das telas? Pode ser tão incrível quanto.⠀⠀

Qualquer um de nós tem o poder de influenciar positivamente uma comunidade, seja ela de 5 pessoas ou 1 milhão. Ampliar o conceito de influência abre o nosso leque de atuação: e se você se tornar o influenciador da sua vizinhança? Do seu trabalho? Da sua família? Do seu bairro? Assim como você gasta tempo pensando em como melhorar a sua presença online, também dá pra gastar pensando em como melhorar a sua presença no mundo.

A frase “E se atingir profundamente um pequeno número de pessoas importasse mais do que atingir todos com nada?” de Jaron Lanier, guru de tecnologia, nos chama para olhar menos para os números – e até para a profissão do momento – e a pensar em um trabalho mais duradouro, que incorpore, mas também vá além das redes sociais que usamos hoje e que possa ter impactos concretos na sociedade.

O like que importa? O seu!

Tudo o que fazemos por aqui – cada post, legenda esperta ou stories – tem um único objetivo em comum: gerar conexão.

Queremos tanto nos conectar e influenciar no online que muitas vezes nos esquecemos de fazer isso com quem está do nosso lado ou, muito pior, de nos conectarmos com nós mesmos. E aí essa validação que buscamos por meio de likes e comentários é como água salgada: por mais que bebamos nunca deixamos de sentir esta sede. Já a construção de uma vida que, para além dos likes, também tem a admiração concreta de uma comunidade, de um grupo e, principalmente, de você mesmo, essa sim pode nos nutrir muito mais profundamente. Todos nós influenciamos, todos somos influenciados.

O que  podemos começar a fazer para equilibrar o nosso impacto tanto nas redes quanto offline e fazer com que ele seja mais positivo?

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