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Segue a cena: você acorda, toma o seu café e resolve começar o dia abrindo a caixa de e-mail: por lá talvez você encontre newsletters sobre como aumentar a sua performance, vender em tempos de pandemia, fazer um curso online e otimizar o home office. Enquanto isso, você é bombardeado no WhatsApp por mensagens e notícias que chegam por todos os lados. Mais tarde, você resolve dar uma passadinha no Instagram, rola alguns stories e tem a impressão de que todo mundo leu mil livros, escreveu uma tese, praticou yoga e plantou uma árvore. Antes do meio dia você já tem certeza de que todos dão conta de tudo, menos você. 

Cortando pra vida real, quantas vezes algo parecido aconteceu e você acreditou que estava fracassando? Ultimamente parece que muitas das narrativas da internet  apontam para um norte: você precisa estar produzindo cada vez mais. Para além do que precisamos de fato produzir para sobreviver, cuidar da casa e da família, há também o que nos cobramos fazer a mais (se temos esse privilégio, claro). Mas quem se dá conta da sua própria humanidade pode tentar trilhar um outro caminho: um que respeite o seu tempo e a sua saúde (física e mental). Não conseguir ter alta produtividade para além do necessário em condições como essa não é um atestado de ineficiência, é apenas o seu corpo reagindo a um período de mudanças e adversidades.  

Nos cobramos para cumprir uma lista de tarefas e expectativas, talvez para mantermos o mínimo de senso de rotina e normalidade, ou, talvez, porque estamos habituados a uma estrutura de produção que nos pressiona para sermos impecáveis nos nossos rendimentos profissional, acadêmico, físico etc. Períodos como o que estamos vivendo costumam mudar toda dinâmica do mundo e muito provavelmente a forma como nos relacionamos, aprendemos, trabalhamos e nos conectamos também será modificada. Então, não seria muito justo se obrigar a entrar em uma rotina intensa de produtividade nesse momento, não é mesmo? Como está a sua relação com produtividade, trabalho e autocobrança nesse período? 

O que NÃO fazer com você mesmo durante o home office.

Estamos inseridos em uma realidade de produção que faz com que confundamos diariamente a nossa força de trabalho e o que produzimos com o que nós somos. Mas pasme: você não é aquela lista de tarefas com um “check” na frente, e nem muito menos um cartão do Trello (em vermelho ou verde). O fazer-tudo nos alcança muito facilmente; resolvemos pelo celular, respondemos mensagens de clientes às 22h, trabalhamos em regime contínuo, tratamos o nosso corpo como um anexo do trabalho: estamos constantemente exaustos.

E, sim, nós entendemos a importância – e o privilégio social – que é ter acesso a fontes de renda e a um trabalho remunerado, sobretudo em períodos de crise. Refletir sobre as relações dúbias que podem ocorrer entre produtividade e trabalho não é negar os bons frutos que uma rotina equilibrada de produção, lazer, e descanso – juntos – podem nos propiciar. É sobre compreender que enquanto estivermos conectados com tudo, exceto com nós mesmos, continuaremos caminhando para uma sociedade do cansaço. 

Readaptar a rotina de trabalho diante de um cenário completamente diferente, de modo a respeitar os próprios limites e ainda assim obter resultados definitivamente não é uma tarefa fácil. Mas é necessária. Neste processo de reconfiguração, você vai encontrar diversos desafios e discursos perigosos, especialmente na internet. Mas vale sempre nos lembrarmos: não existe produtividade – e nem muito menos criatividade –  sem descanso, não acredite em quem te diz o contrário. Na contramão dos manuais sobre o que fazer para aumentar a produtividade, resolvemos montar no álbum um manual sobre o que NÃO fazer com você mesmo durante o home office. 

 

Produtividade em condições adversas

Nas redes sociais já se tornaram comuns memes que ilustram o sentimento de “expectativa X realidade” sobre a nossa produtividade na quarentena. Por trás do efeito cômico, eles nos levam à reflexão sobre como nos cobramos e não respeitamos o nosso ritmo mesmo em um cenário de desaceleração global. Isso acontece porque, entre outros fatores, não somos incentivados a sermos honestos com os nossos limites e nem a lidarmos com o ócio. 

A professora de ciências políticas Aisha Ahmad, da Universidade de Toronto, no Canadá, que já viveu em condições de guerra e conflitos violentos, recentemente escreveu um artigo sobre produtividade em condições adversas. Destacamos alguns pontos que podem ajudar a lidar com as oscilações comportamentais e de performance de produção durante a pandemia: 

  • Sem cobranças: é comum não sentir-se bem durante um desastre global como a pandemia, não se cobre tanto nesse sentido. Sem cobranças exacerbadas, foque na sua alimentação e em exercícios simples, por exemplo(você não vai se tornar um atleta olímpico em 15 dias); 
  • Tenha uma rede de apoio virtual: monte uma estratégia para manter conexões com um pequeno grupo de familiares, amigos e/ou vizinhos, como se fosse uma rede de apoio;

  • Concentre-se em fazer as tarefas simples: de rotinas de casa e do trabalho, e se sentir necessidade vá abrindo caminho até as tarefas mais complexas; 

  • Manter um rotina diária de atividades básicas pode te ajudar a lidar melhor com o dia. Mas, se não conseguir, ou se sentir distraído, tudo bem também;

  • Encare esse período como uma maratona: se você disparar na largada, vai chegar exausto ao fim do mês. Esteja emocionalmente preparado para um período turbulento que pode ser longo, seguido de uma recuperação lenta. Se terminar antes, será uma surpresa agradável.

Não temos todas as respostas. Mas acreditamos que o caminho é construído um passo por vez. Você vem junto? 

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