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Marie Kondo é autora do livro “A mágica da arrumação”, um best seller com milhões de cópias vendidas em todo o mundo.

Seu método é intenso e pouco usual, mas revolucionou inúmeras casas (e vidas) mundo afora, incluindo as nossas. 

O método de arrumação também pode ser aplicado online, se organizamos e faxinamos  nossa casa, que tal organizar também a nossa vida digital? Foi assim que decidimos aplicar um #mariekondodigital em nossos gadgets. 

Se só de pensar em suas fotos para organizar, no seu desktop ou em sua caixa de emails você já sente arrepios, saiba que não está sozinho. “Na internet, somos todos acumuladores”, afirma Seth Fiegerman, editor de tecnologia da @CNN. 

Por onde começar?

Se você assistiu ao seriado “Ordem na casa com Marie Kondo”, na Netflix, você sabe que ela é fã de rituais. Por isso, antes de começar a fazer, é importante refletir sobre o que será feito: pare por alguns minutos e pense: como você gostaria que fosse sua rotina digital? Segundo ela, ao visualizar uma imagem concreta, torna-se mais rápido o processo de deixar cada coisa em seu lugar. ⠀⠀⠀

Na sequência, a ideia é partir para uma arrumação profunda e radical que implica em fazer a faxina toda de uma só vez. Quando é dentro de uma casa, Marie Kondo sempre começa a arrumação pelas roupas. Segundo ela, são os itens que podem oferecer menor resistência e sentimentalismo. No digital, acreditamos que podemos fazer uma analogia com os apps, então começaremos por eles.

Primeiros passos:

Vamos começar pelo seu smartphone: na área de ajustes do telefone dá para ver todos eles juntos em um só lugar, parecido com a montanha de roupas que Marie Kondo sugere fazer. Olhe um por um e reflita: quais te trazem alegria? Aqui não vale pensar se são simplesmente úteis ou não – a ideia é ter um ambiente digital com tudo o que te alegra.

Para os apps que decidir deletar, não se esqueça de agradecê-los pelo seu serviço. Obrigada e delete!

Agora é hora de organizar o que ficou: pode ser por categoria de uso ou até por cor, como te trouxer mais alegria. Alguns especialistas recomendam que você, em vez de se preocupar em categorizar, sempre digite o que deseja na caixa de busca do telefone, para evitar o uso automático. Recomendamos uma organização proposta no livro “Indistractable”, de Nir Eyal: na primeira tela, deixe todos os apps que te ajudam a conquistar os seus objetivos. Na segunda, todos os que te fazem usar o celular por mais tempo do que gostaria, que te distraem. 

Organização por dentro das redes

Hoje é dia do unfollow: hora de abrir suas redes favoritas (Instagram, Twitter, Feedly, Youtube e até Whatsapp se você participa de muitos grupos, por exemplo) e fazer uma faxina seguindo o maior questionamento da guru da arrumação – “isso te traz alegria”? 

E por “alegria” não queremos dizer algo que te deixa 100% feliz, cabem muitas nuances nesse processo – então reflita sobre quais conteúdos te informam com qualidade (mesmo a informação te deixando triste), conteúdos que te acrescentam, que te transformam e, principalmente, aqueles que te alegram simplesmente porque sim. ⠀

Se algumas contas você sentir que não pode deixar de seguir por motivos pessoais ou profissionais você pode repensar a forma como acompanha esse conteúdo: pode silenciar os stories, o feed ou ambos.

Para fazer a faxina, em vez de visualizar seus canais pelo feed, vá direto na lista de quem você está seguindo e tente fazer o scroll até conseguir visualizar todas, é importante ter uma boa noção do volume. E aí, basta ir olhando um por um e imaginar a própria Marie Kondo te questionando: você gostaria de levar esse conteúdo com você no futuro? 

Se não, agradeça e dê o unfollow. Antes de começar a faxina, recomendamos anotar quantas pessoas você seguia em cada rede para depois ver qual foi o tamanho do seu desapego. 

Desktop e e-mails: É possível organizar?

E os arquivos do computador e os e-mails acumulados, o que fazer?

Em uma entrevista que concedeu para a @CNN, a sugestão da Marie Kondo para organizar seus arquivos é a de abrir o computador e criar duas pastas: “Documentos Importantes” e “Me traz felicidade” – não necessariamente com esses nomes, mas com essas ideias por trás. 

Em seguida, o segredo é identificar o que realmente importa na bagunça, movendo os arquivos que você deseja manter para uma das duas pastas. Depois é só criar coragem e simplesmente deletar o resto. “Pare de manter coisas desnecessárias ‘porque sim’”, disse Kondo. “Se um arquivo não traz felicidade ou não parece importante, seja grato e deixe-o ir embora”, concluiu. 

No caso dos e-mails, a ideia principal é a de pensar que a caixa de entrada é um local de passagem, não um catálogo de arquivos, nem lista de tarefas. Marie Kondo afirma que para enfrentar o excesso de e-mails em sua própria vida, organiza suas novas mensagens em simplesmente duas categorias: salvar e não processado. A última, que inclui todos os e-mails que ela deseja ler e responder, é deixada em sua caixa de entrada. “Quando percebo que meu inbox está empilhado, tento arranjar tempo para processá-las todas de uma só vez”, diz ela. 

Complementamos esse conteúdo com uma sugestão de Nir Eyal, autor do livro “Indistractable”, que organiza seus emails em duas categorias – “responder hoje” e “responder essa semana”.

A ideia principal para essas categorias digitais que podem demandar coragem e disposição é de, em vez de focar em tudo que você precisa organizar ou deletar, focar em tudo o que você gostaria de manter.

Após tomar essa decisão você pode partir para uma arrumação que faça mais sentido para você: desde as mais minimalistas como a da Marie Kondo (ela é fã das caixas de busca) até as mais elaboradas, incluindo diversas categorias para seus e-mails e arquivos.

Desapegando de fotos e vídeos

Respira fundo e segura a nossa mão: chegou a hora de falarmos sobre o item digital mais desafiador quando o assunto é organização:fotos (e vídeos).

Hoje em dia fotografamos mais do que nunca. Porque não fotografamos apenas momentos especiais, mas também: ⠀⠀⠀

  •  Fotos tarefa: aquelas que tiramos porque precisamos lembrar de alguma tarefa mas não podemos anotar ou memorizar no momento;

  •  Fotos consumo: de coisas que queremos comprar;

  •  Possíveis posts: fotos de algo que parece digno de post, mas não chega a tanto;

  •  Foto-aprovação: essa roupa tá boa? Compro isso? Gosta daquilo?;

  •  Fofura em excesso: seu filho, seu bichinho, só que em mil cenas repetidas, de todos os ângulos possíveis;

  •  Prints: pra ver depois, um depois que quase nunca chega;

  •  Comida: porque existe um fascínio inexplicável em fotografar o que comemos;

  •  Selfies: porque é de conhecimento geral que a média é tirar 30 pra sair uma boa;

  •  Prova de que vivi isso: um vídeo de um show que você nunca mais vai ver, dezenas de fotos de um mesmo pôr do sol e por aí vai.

Diante desse desafio, temos duas tarefas a fazer. A primeira é olhar para o que já passou: isso não podemos mudar, e se quisermos salvar nossos momentos especiais, vamos ter que achar o tempo para organizar nossas fotos. Essa tarefa pode levar desde algumas horas até alguns dias! Mas lembre-se do conselho da Marie Kondo “em vez de focar em tudo que você precisa organizar ou deletar, foque em tudo o que você gostaria de manter”.

 A segunda coisa que podemos fazer é buscar mudar a forma com a qual nos relacionarmos com a fotografia, pensando com mais atenção e com mais intenção sobre esse ato. Talvez assim, além de tornar o ato de organizá-las mais fácil, a gente também possa aproveitar mais as cenas que não queremos nunca esquecer.

Vamos falar dos excessos?

Quando debatemos sobre a organização da nossa vida digital, também estamos falando sobre o excesso. Assistir ao programa da Marie Kondo e ver as transformações que seu método provoca nos faz perceber que viver com menos, em todas as áreas da vida, pode ser um caminho de mais leveza e satisfação. 

Se você já passou por esse processo, provavelmente vai ter vontade de manter seus espaços digitais sempre organizados como estão agora (ou como ainda vão ficar!). Então não se esqueça de criar na sua nova rotina digital um espaço para a manutenção. Se possível, dedique algum tempo semanalmente para organizar suas fotos, seus e-mails, arquivos e conteúdos. Se puder, já os transfira para seu destino final: um HD, pastas no computador, para a nuvem…

A autora que inspira esse artigo garante: “A chave é trabalhar para identificar aquilo que verdadeiramente produz felicidade, e para a maioria das pessoas não é fácil. Mas é a melhor maneira de nos assegurar de que vivemos com aquilo que nos satisfaz. E na quantidade justa”, ou seja, a capacidade de identificar o que vale a pena ser mantido na vida tende a melhorar com o tempo e também que se espalha para todas as áreas da vida. Assim esperamos!

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