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A cada vez que desbloqueamos nossos telefones, nos abrimos para sentir muitas emoções. Podemos sentir alegria de ver uma conquista, uma descoberta ou até mesmo um vídeo fofo. Às vezes nos sentimos ansiosos: é tanta coisa para dar conta. Tem aqueles momentos em que a inveja bate e parece que a vida de todo mundo é mais interessante que a sua. Podemos sentir medo também: de não saber o que está acontecendo no mundo, de ficar pra trás no trabalho, de entrar em conflito com o outro. Você já parou para pensar em como sua vida digital pode ter um grande impacto nas suas emoções?

Para começarmos esta investigação coletiva, propomos um exercício: da próxima vez que você desbloquear a sua tela, observe o que acontece com você. Quantas emoções você sentiu?

 

O design e nossas emoções

No momento da criação dos produtos digitais que mais usamos, os designers tinham um desafio: fazer com que a gente usasse os apps incríveis que eles tinham criado. Eles fizeram isso estudando a fundo o comportamento e as emoções humanas. Foi assim que nasceram os recursos que vemos na maioria dos produtos que usamos: o botão de curtir, a bolinha vermelha de notificação, o mecanismo de puxar para atualizar, entre outros.

Corta a cena para os dias de hoje e temos os próprios criadores dessas funcionalidades se arrependendo por não terem previsto que elas poderiam levar a cenários em que passamos tantas horas conectados. Loren Brichter, o designer que inventou o mecanismo de puxar para atualizar, diz que nunca pretendeu que o design fosse viciante – mas não contesta a comparação das máquinas caça-níqueis. “Eu concordo 100%”, diz ele. “Agora tenho dois filhos e lamento cada minuto que não estou prestando atenção neles porque meu smartphone me sugou.”
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Confira nas imagens os mecanismos digitais que mais mexem com as nossas emoções. Você já tinha pensado sobre o efeito dessas funcionalidades nos seus sentimentos?

Resgatando a atenção

Vamos resgatar a nossa atenção?

 Os mesmos criadores dos mecanismos que nos deixaram vidrados nas telas estão vivendo desafios pessoais com os efeitos que elas provocam em nossas vidas e em nossas emoções. É o caso do Nir Eyal, autor conhecido por seu livro best-seller “Fisgados: como construir produtos que viram hábitos”. Ele ajudou inúmeras empresas a nos deixarem cada vez mais vidrados pelos produtos digitais. Com o tempo, ele percebeu que suas invenções foram tão eficientes que ele mesmo estava deixando de conseguir viver momentos de atenção plena até mesmo quando estava com a sua filha. Foi assim que nasceu a ideia do livro “Indistractable”, em uma tradução ainda não oficial algo como “Indistraível: como controlar sua atenção e escolher sua vida”. A leitura é interessante e indica 4 passos para você resgatar a sua atenção, que compartilhamos aqui, confira;

1- Conheça os seus gatilhos internos:
por mais que não gostemos de admitir, a distração começa de dentro, do desejo de escapar de algum desconforto. Nir Eyal afirma que os truques de produtividade não vão funcionar se não conhecermos e aprendermos a controlar melhor esses gatilhos;

2- Faça um calendário:
na economia da atenção é imprescindível planejar para onde vai seu tempo antecipadamente. Do contrário, algo vai ocupá-lo; podem ser as demandas de terceiros ou as distrações digitais. Vale planejar até o tempo livre. Dessa forma, se você se distrair, ao menos vai saber o que deixou de fazer;

3- Tente ‘hackear’ os gatilhos externos:
dois terços dos usuários de smartphones nunca mudaram os ajustes de notificação. Você realmente precisa receber avisos de todos os apps? Gaste 10 minutos para eliminar ao máximo os estímulos externos. Você também pode fazer isso no mundo off-line, avisando as pessoas que você precisa de um tempo de concentração.

4- Faça pactos para prevenir a distração:
você pode convidar um amigo para que vocês acompanhem o progresso um do outro na luta contra as distrações. Pode também usar apps que te ajudam a controlar melhor o seu tempo, como Rescue time e Self Control. Use a tecnologia a seu favor nessa luta!

Da conexão ao distanciamento

“Nós esperamos cada vez mais da tecnologia e menos uns dos outros.” A frase é de Sherry Turkle, autora do livro “Alone together”.

Às vezes vocês não têm a impressão de que mesmo fazendo parte de grupos de Whatsapp, falando com seus amigos por mensagem direta, vendo tudo o que eles estão fazendo pelo stories vocês, ainda assim, se sentem sozinhos? A verdade é que esse tanto de contato e de informação nem sempre significa conexão. ⠀

Como fazer, então, para sair de um cenário de isolamento provocado pela tecnologia? Usando a internet como pontes para encontros ao vivo, sempre que der. Procure se conectar para além do “tudo bem?”. Você sabe quais desafios quem você ama tem vivido? Ou quais são seus sonhos mais profundos? Crie tempo e disponibilidade para as interações que te importam, principalmente as que tem toque, olho no olho. Porque nada substitui estar junto. 

E o amor, como fica?

E os relacionamentos amorosos, como ficam?

 Diferentes, como quase todos os outros aspectos da nossa vida. É fato que, seja por meio de aplicativos, seja por meio de interações nas redes sociais, nossos relacionamentos ganharam mais uma camada para se desenvolver, a digital. ⠀⠀⠀

De antemão, já dá para vasculhar um bom volume de informação olhando as fotos do perfil de quem você está interessado, para ver se dá match. Falamos de stalkear o crush ou o contatinho. Tem aquele entusiasmo da paquera, ainda mais com tantos meios para interagir. Nesse contexto, damos significado a novos tipos de interações: quem eu quero curte ou não curte as minhas fotos? Rolou um like em uma foto antiga, isso é paquera? E se a pessoa visualiza ou não todos os seus stories, o que isso significa? A facilidade de falar com tanta gente ao mesmo tempo esvazia um pouco a necessidade que toda relação tem de aprofundamento.

“Numa lógica de mercado, as ofertas são muitas e as demandas também. Essa é a verdade da liquidez. A única coisa que importa é saber, nesse supermercado gigantesco, o que você quer e o que você gosta. Se você não sabe muito bem, irá se perder e achar que deseja experimentar todos os produtos de todas as prateleiras. Se você sabe melhor de você, se você sabe ao menos algo visceral sobre o seu desejo, basta um pequeno mercadinho charmoso com exatamente todos os tipos de seres humanos que te interessam e que entram em uma deliciosa sintonia com você. Te digo: são poucos. ” Uma percepção da psicanalista Maria Homem (@maria.homem) sobre esse tema.

Afinal, o amor nos tempos da tecnologia: tá mais fácil ou mais complicado?

A inveja e o outro

A grama do vizinho não é mais verde, ela apenas recebeu algumas camadas de edição e filtros. O que a gente vê na tela do Instagram é um recorte, não a história completa.

Além disso, nunca tivemos acesso a um volume tão grande de vidas para acompanhar. Se com essa avalanche de informações parece que a vida de todo mundo é mais cheia de conquistas do que a sua, saiba que você não está sozinho nesse sentimento.

“A modernidade está vivendo com seu celular, colocando a representação do eu para o outro dar aval e dizer: você é legal, bonito, eu gosto de você. São várias instâncias que vão me avaliar continuamente, me medir, julgar para que eu tenha valor. Isso é a base da inveja.”, diz a psicanalista Maria Homem (@maria.homem). ⠀

Como navegar em meio a esses sentimentos? Separamos algumas dicas:⠀

-Identifique o que você está sentindo, tente nomear sua emoção, entender de onde ela vem e o que ela está querendo te dizer;

  • Tenha a coragem de ser imperfeito e vulnerável, como diria Brené Brown (todos nós somos!);
  • Procure não comparar os seus passos com a jornada do outro, cada vivência é única;
  • Pratique “mudita”, a capacidade de se alegrar com as conquistas dos outros;
  • Comece a conhecer mais a si mesmo.
  • Medo: o outro é uma criação nossa

Já sabemos: as redes sociais nos colocam em bolhas.

O algoritmo entende o que você gosta e te sugere quem seguir, o que ler, ver, ouvir, comprar. “Consumir informações que estejam de acordo com nossas ideias do mundo é fácil e prazeroso; consumir informações que nos desafiam a pensar de novas maneiras ou questionem nossas suposições é frustrante e difícil”, escreve Eli Pariser no livro “The filter bubble”. “É por isso que os partidários de uma faixa política tendem a não consumir a mídia de outra. Como resultado, um ambiente de informações que só deseja conquistar mais cliques favorecerá o conteúdo que apoia nossas noções existentes sobre o mundo, em detrimento do conteúdo que nos desafia”, completa. ⠀O resultado? Muitas vezes perdemos a capacidade de lidar com o diferente. É assim que construímos o mundo que a gente quer? Achamos que não.

O que podemos fazer para lidar melhor com esses sentimentos? “O primeiro passo é saber que o outro, tal como desenhamos em nossa mente, é antes de tudo uma criação nossa. Sim, parece estranho mas é isso mesmo: o outro é um pouco o que ele é, e muito mais o que projetamos sobre ele. Há momentos na história em que isso fica flagrante, normalmente quando o outro é a representação do mal ou do bem. Nossa mente é maravilhosa ao criar armadilhas para nos assustar ou nos apaziguar. Saiba disso e procure se conhecer”, nos convida a psicanalista Maria Homem (@maria.homem).

O que podemos fazer? Desafiar o algoritmo!

Aprenda sobre algo que não te interessa de primeira, siga pessoas que têm vidas completamente diferentes da sua. Há tanta vida lá fora. Como você usa a internet como um lugar de potência? ⠀⠀⠀

Um tema delicado (porém necessário)

Vamos começar a falar sobre esse tema respirando bem fundo? Pronto, agora sim.

Ansiedade: de ser produtivo, de consumir, de se informar, de postar. Esse excesso não existe só no digital, não é mesmo? Por isso acreditamos que não adianta vilanizar as telas: precisamos ir além e examinar o contexto da criação dos produtos digitais e também o tipo de conteúdo que criamos e produzimos.

Uma pesquisa da Brigham Young University mostrou que, ainda mais do que a quantidade de tempo que passamos online, o que mais impacta a nossa saúde mental é a forma como passamos esse tempo. Sarah Coyne, a professora líder desse estudo afirma: “Dois adolescentes podem usar as mídias sociais exatamente pelo mesmo tempo, mas podem ter resultados muito diferentes pela maneira como estão usando”.

A internet e o mundo: um espaço pra sonhar

A internet foi criada a partir de um sonho – e de um trabalho coletivo de inúmeros programadores, cientistas, pensadores que queriam conectar um grande volume de informações e, na sequência, o mundo todo. Navegamos em um volume de dados que se multiplica a cada dia. Com isso, sentimos muitas implicações. Ainda assim, estamos longe de ter chegado a um auge em relação à internet. O próprio Tim Bernes Lee, criador da World Wide Web, fala: “A Web como eu a imaginava, ainda não a vimos. O futuro ainda é muito maior que o passado”. ⠀⠀⠀

Como estamos construindo a internet do presente? E como sonhamos com a do futuro? Antes de vermos as mudanças positivas no mundo, sempre existe o sonho. E se a gente sonhasse coletivamente com as mudanças que queremos ver na internet? É para isso que existe #ainternetqueagentequer.

Essa é a hora do brainstorm coletivo: se você tivesse todo o poder nas suas mãos, quais mudanças iria propor nos seus apps e redes favoritas? O que iria inventar que ainda não existe? Quais conteúdos e quais emoções você gostaria de ver e de sentir mais no digital? Vamos desenhar juntos uma internet mais gentil com nossas emoções?



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