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quer_internet pra quem? conheça os imigrantes digitais

 

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Segundo dados da última pesquisa realizada pelo Comitê Gestor da Internet (CGI Br), até 2018, 1 a cada 4 brasileiros não possuía acesso à internet. Em números totais isso significa dizer que 49,5 milhões de pessoas estavam totalmente desconectadas da rede, enquanto outras 25 milhões acessavam de forma restrita ou precarizada.
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A exclusão digital no Brasil tem endereço, classe, cor e idade; os maiores índices de falta de acesso estão nas zonas periféricas e rurais, entre pretos e pardos das classes D e E (70%), e não coincidentemente afeta a população mais madura, que não é nativa do boom das tecnologias digitais e das redes sociais.
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Para o Professor André Lemos, pesquisador em cultura digital, podem existir dificuldades práticas de acesso, já que as pessoas excluídas digitalmente foram acostumadas a uma recepção passiva de informações pelos meios de comunicação em massa, mas os problemas estruturais e sociais ainda são maiores:
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As dificuldades são mais fortemente sociais e regionais, faltam políticas públicas sérias que ampliem o acesso à internet e uma melhor infraestrutura das escolas do país para acesso e treinamento dos professores para o uso dessa ferramenta. Nas regiões norte e nordeste do país concentram-se a maior parte dos excluídos.”
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Queremos nos debruçar sobre as discussões que cercam aqueles que são privados de construir #ainternetqueagentequer. Quem são os imigrantes digitais? Quais os impactos e conflitos ao redor da não democratização da internet? Como você percebe o acesso a internet no seu círculo social.

Acesso à internet não basta: é preciso ter fluência digital

Imagine estar em um local desconhecido, onde a comunicação e os costumes lhe parecem pouco ou nada familiares. Onde as relações interpessoais, comerciais e profissionais dependem, em vários níveis, de um conjunto de “códigos” que você não domina.

Pode até parecer uma narrativa distópica, mas essa é a realidade de cerca de 100 milhões de brasileiros (segundo o IBGE), que são economicamente ativos, acessam a internet, mas estão à margem da integração digital plena: os imigrantes digitais.
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A situação serve para ilustrar o estudo do professor e pesquisador em educação Marc Prensky, que observou por meio do seu trabalho com jovens estudantes nos anos 2000 que o mundo entraria em um processo marcado por um “antes” e “depois” das tecnologias digitais. Esse processo seria tão abrupto que, junto com o seu potencial transformador, traria também fronteiras e abismos enormes que separariam quem habita (ou tenta habitar esse território digital) em nativos e imigrantes. Prensky descreve os nativos digitais como aqueles que cresceram com a tecnologia digital e a usam de forma mais natural e fluida, e os imigrantes digitais como os que chegaram à tecnologia digital mais tarde na vida e, por isso, precisaram se adaptar. O fato é que essa adaptação não ocorre de forma tão natural e intuitiva, a inclusão digital nesse contexto vai muito além de possuir acesso à internet ou ter um smartphone. Habitar esse espaço, dominar sua linguagem, ter condições de codificar os processos que aqui ocorrem, ainda é um lugar de privilégio. Pensar #ainternetqueagentequer também é refletir sobre quem está nesse espaço mas ainda não participa de forma efetiva da sua construção. Como nós, nativos ou “naturalizados” digitais, podemos quebrar os muros virtuais que nos separam de uma parcela tão significativa da população? Como essa exclusão digital denuncia outras carências do “mundo real”?

Relevância não tem idade

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Os imigrantes digitais já estão povoando a internet, mesmo que ela não tenha sido pensada para eles. Problemas de usabilidade, interfaces complicadas, luzinhas que piscam sem parar e ícones que não significam nada para essa geração são alguns desafios que podem ser facilmente superados quando nos dispomos a tentar entender como funciona a cabeça do internauta mais maduro. Como os idosos se relacionam com o digital? Qual o nosso papel na inclusão mais efetiva e didática desse público?
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Para desmistificar os estereótipos, conversamos com o @avosdarazao, projeto que é composto pelo trio de amigas Sônia (83 anos), Gilda (78) e Helena (91), que fazem sucesso na internet respondendo perguntas sobre os mais variados temas no Youtube e aqui no Instagram.
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“Nós sempre gostamos de nos reunir pra jogar conversa fora, falar sobre os nossos pensamentos, posicionamentos, então uma amiga mais jovem deu a ideia de criarmos um canal para gravar essas conversas e sugeriu que pedíssemos para o pessoal (da internet) mandar perguntas”, diz Gilda. “A gente só ia até o Whatsapp nesse negócio de internet. No início era até engraçado porque sempre falavam alguma coisa que a gente não entendia. Agora nós somos influenciadoras digitais. Eu acho muito chique!”, completa.
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O processo de alfabetização digital que permitiu o sucesso e a receptividade das @avosdarazao também é importante para usuários da melhor idade que não são creators ou influenciadores. “A internet facilita as coisas. Vai se introduzindo na nossa vida, senão, como vamos falar com as pessoas, com nossos netos, com os mais jovens, nessa pandemia? Precisamos aprender. Alguns resistem, outros aprendem”, diz Gilda.
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Como estamos acolhendo as pessoas que ainda não estão totalmente familiarizadas com o digital? Será que estamos nos fazendo entender?

Não é tarde para começar

Apesar de o recorte etário não ser a única variável interessante ao analisarmos o fenômeno dos imigrantes digitais, é incontestável que essa – junto com as variáveis de renda e escolaridade – seja uma das mais relevantes para a discussão no cenário brasileiro. A PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) apontou que entre 2016 e o 2017 houve um salto de 10 milhões de novos usuários de internet no Brasil, dentre eles 23% estavam acima dos 60 anos. Não por acaso, precisamos nos questionar sobre como essas pessoas estão consumindo, compartilhando e lidando com a avalanche de informações que temos por aqui. Será que estamos promovendo uma inclusão digital capaz de lidar com os fenômenos e vulnerabilidades desse público?
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Para Layla Vallias, cofundadora da @hype50mais, consultoria especializada em mercado sênior, para promovermos uma inclusão digital mais eficaz e uma comunicação comprometida em construir pontes, é preciso primeiro vencermos o ageísmo; discriminação etária que faz com que tenhamos noções pré-estabelecidas sobre quem são e o que querem os maduros – e compreendermos a multiplicidade existente dentro dessa parcela da população: “Essas pessoas são múltiplas e diversas, não dá para considerá-las uma massa uniforme, é preciso então conversar e interagir com elas. Fazer pesquisa, se aproximar, engajar, tomar cafés (mesmo que agora virtuais), conhecê-los, de fato. No fim do dia idade é só um número e o que temos que levar em consideração é o estilo de vida, as dores e delícias de ser quem se é.”
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Pensando em todos esses desafios que cercam a construção da #internetqueagentequer para o público sênior, mostramos no álbum algumas dicas sugeridas pela hype50+ para implementar pequenas ações de letramento digital no dia a dia, principalmente neste momento de distanciamento social. 

Como é a sua relação com seus avós, pais ou conhecidos mais velhos que estão na internet? O que você tem feito para auxiliar a experiência dessas pessoas aqui no digital? Esses dias, lemos por aqui um relato de alguém que estava ensinando a mãe a assistir lives de conteúdos que a interessava no instagram. Vamos adorar ler as experiências de vocês!

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