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Diz que adora minha companhia, mas…

Se a gente digita “internet atrapalha” no Google, o autocompletar imediatamente sugere a palavra “relacionamento”.

Você concorda com essa frase?

Considerando toda complexidade de uma relação, o mundo digital sem dúvida é um espaço para conexão e demonstração de afeto, mas também pode alimentar neuras e motivos de discussão infundados.

Para dar dimensão disso, um estudo realizado pela Kapersky Lab revelou que 80% dos casais já brigaram por causa de tecnologia. A pesquisa realizada com 18 mil pessoas em 18 países diferentes, incluindo o Brasil, mostra que um dos fatores que mais causa desentendimentos é o uso excessivo de smartphones durante a convivência pessoal do casal. 

O mundo dos solteiros também não fica atrás: com tantas possibilidades de conexão com tantas pessoas diferentes, quais efeitos colaterais isso gera nas relações (antes mesmo delas nascerem)?

Compartilhar senhas, interpretar mensagens de texto, privacidade online, likes que incomodam, excesso de oferta, banalização do romance… Como se já não vivenciássemos tudo isso, um novo contexto de isolamento social torna a relação entre amor e o digital ainda mais intensa. Vamos falar sobre isso? Quais têm sido as suas experiências quando o assunto é internet e relacionamento, seja solteira/solteiro, seja com o crush, seja com o mozão?

Quem ama posta?

Existe quase que uma cobrança digital inconsciente em dias de comemoração, em aniversários de pessoas queridas, no Dia dos Namorados e por aí vai, que é o ato de postar uma declaração pública, visto com bons olhos por muita gente.

A impressão é que dedicar um espaço do seu mundo virtual para pessoas que gosta virou uma moeda de troca afetiva, sinônimo de carinho e dedicação em muitos relacionamentos modernos. Você pode até ligar para a pessoa, ou estar junto a ela fisicamente fazendo juras de amor, mas se você não postar nada, pode ser que acabe se passando por relapso. Já passou ou esperou isso do outro?

Por aqui a gente acredita que cada um ama a sua maneira, e o mesmo vale para o comportamento nas redes sociais. O livro “As 5 linguagens do Amor”, de Gary Chapman, mostra que cada pessoa comunica seu afeto de um jeito diferente. As cinco formas mapeadas pelo autor incluem:

1) palavras de afirmação:
são elogios ou incentivos muitas vezes sutis, mas que valem como um “eu te amo”;

2) tempo de qualidade:
fazer algo juntos. Ver um filme, uma série, compartilhar uma leitura;

3) presentes:
aquele mimo para surpreender seu amor;

4) gestos de serviço:
ações que são formas subjetivas de dizer que se importa, como lavar a louça ou resolver algum problema;

5) toque físico:
andar de mãos dadas, oferecer um cafuné, dar beijo…  

Uma leitura como essa ajuda a perceber que existem muitas formas de demonstrar o amor – e que fazer declarações públicas é só uma delas. Não a melhor nem a mais correta. Esse tipo de compreensão ajuda estabelecer uma conexão mais forte e verdadeira que vale mais do que qualquer post, né? 
O que você pensa sobre esse tema? Considera demonstrações públicas de afeto importantes em um relacionamento? 


Fiquei mal que o casal terminou! 🙁

Mas não conhecia nenhum dos dois…

Quem se identifica levanta a mão. A internet chegou para desfazer fronteiras do individual e coletivo à medida que muitas dinâmicas amorosas são compartilhadas na timeline. O que antes era considerado assunto privado, hoje passou a ser do interesse de muitas pessoas. Nos engajamos com os relacionamentos ao lado, temos a mania de shippar pessoas que mal conhecemos, acompanhamos micro novelas particulares a cada rolagem para baixo, mas será que compartilhar recortes do meu relacionamento é um convite para opiniões alheias? 

No final de abril, a internet sofreu de uma desilusão quando Whindersson Nunes e Luisa Sonza, duas celebridades digitais, se separaram. O casal veio até o Instagram para comunicar a todos o fim do relacionamento e muita gente reagiu com muito pesar. 

As perguntas são muitas: será que estamos todos em um grande relacionamento? Caminhamos para o fim da privacidade no amor? Como construir os limites entre o público e o privado? 

Tenho medo de ~ mandar nudes ~

Trocar fotos íntimas ganhou força com a pandemia e é uma boa saída para garantir momentos de prazer entre você e o contatinho. Mas é importante estar ciente dos riscos: o consentimento mediado por uma tecnologia está sujeito a um acordo entre as partes, e o lugar pelo qual essa imagem é trocada não está imune a falhas e vazamentos. Reunimos algumas dicas da cartilha “Safer Nudes”, da @codingrights, pra quem quiser se deliciar com empolgação e segurança.

Capriche na pose:
hora de explorar o seu corpo e curtir o momento. Experimente ângulos até achar os que se sente mais confortável e atraente. Uma boa iluminação e composição também deixam a imagem mais atrativa. O ponto de atenção é evitar expor seu rosto ou partes que te identificam (como tatuagens), para brincar com mais segurança.    

Proteja-se:
certifique-se de tomar os cuidados básicos, como manter uma senha forte no seu celular e não compartilhá-la com ninguém. Cuidado com redes públicas ou compartilhadas de Wi-fi (acessar somente sites com httpS na barra de endereço, que são criptografados). O ideal é criptografar seu telefone e usar programas que apagam os dados das fotos que você tira, como local e data. O Photo Exif Editor é um deles.   

Envie, guarde ou compartilhe:
se for mandar, evite escolher apps vinculados a e-mails e telefones. O recomendável é que a plataforma tenha bloqueio de screenshot e mensagens que se apagam automaticamente. Se for guardar, use pastas criptografadas e protegidas por senha no seu computador, a que só você tenha acesso. Se a ideia for compartilhar com seus seguidores, é importante estar ciente dos riscos. A interação pode ser positiva, mas também podem rolar comentários desagradáveis ou a foto vazar. Divulgar nudes sem consentimento é crime. Se isso acontecer, dê prints, abra um boletim de ocorrência e entre em contato com um advogado para orientações. Com segurança, mandar nudes é uma delícia.

Postei uma indireta para você -e para outras pessoas

Certamente você já deve ter publicado alguma coisa no seu feed como indireta para alguém. Vale algum desabafo subjetivo com trabalho, uma insatisfação com alguma relação familiar, mas a indireta também é muito usada na arte da conquista. Muitas vezes desencorajados por vergonha, medo da rejeição, a gente praticamente joga um verde e, se pegar, pegou. Até percebemos que vivemos botando em prática o meme “é brincadeira, mas se você quiser, eu quero”. O curioso disso tudo é que a internet e as redes sociais são ferramentas que surgiram para aprimorar a nossa comunicação, né? 

Falando em indireta, já ouviu falar em Instagrandstanding? O termo é definido pelo ato de montar o feed do Instagram pensando em conquistar: objetos, lugares, frases e qualquer outra coisa que o potencial mozão curte, com o objetivo de chamar sua atenção. É encarar as suas redes como uma vitrine para expor o quão interessante você é. Quem aí já fez posts ou stories pensando em passar um recado pra alguém?    

As indiretas podem fazer parte do jogo, mas o direct pode recompensar mais os que têm aquela dose de coragem.

Falar com você por tela, é melhor do que não falar

As dinâmicas sociais estão completamente diferentes, e seria uma utopia pensar que isso não afetaria até os nossos universos mais particulares: o amor, o sexo, o relacionamento. Mas imaginaríamos que seria tanto?

A agência @wearemutato desenvolveu o estudo “O amor nos tempos da pandemia”, que mapeou comportamentos e sentimentos que transformaram o amor durante o isolamento social. De 1 de março a 15 de abril, a pesquisa capturou, leu e analisou matérias em sites e revistas e menções no Facebook, Twitter e Instagram, e trouxe alguns dos comportamentos divididos em 5 principais temas: solidão, tesão, conexão, tretas e zueira.

As percepções foram bem interessantes. As pessoas estão mais suscetíveis a procurar uma conexão emocional antes de partir para um encontro físico. Pode-se dizer que a Covid-19 mudou a pegação, mas não o romance, porque a observação aponta para a volta do flerte romântico, mesmo que pela tela.

O sexo virtual deixa de ser um fetiche para se tornar uma possibilidade real com sexting, troca de áudios eróticos e até mesmo zoomruba – videoconferências pra cada um se curtir sozinho, mas junto. Os sex toys também estão em alta, e o mundo das sex techs (tecnologias de realidade virtual voltadas para o prazer) se torna uma possibilidade mais palpável para os próximos tempos.      

Há quem fure a quarentena para transar, mas o pessoal não tem feito vista grossa – e muita gente já foi exposta na rede por esse motivo. O time dos casados, por sua vez, saiu em vantagem, já que está fazendo mais sexo agora (apesar de a libido de muita gente estar em baixa). Tendências também apontam para uma normalização do comportamento de quem prefere não se relacionar emocionalmente com ninguém e estabelecer o relacionamento sério consigo mesmo. O estudo completo você pode baixar no link da bio do instagram @wearemutato.

Qual sentimento tem sido mais presente no seu coração e como a pandemia tem afetado seu relacionamento?

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