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	<title>Arquivos linha de frente - A internet que a gente quer</title>
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		<title>A tecnologia e os profissionais da saúde</title>
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		<pubDate>Thu, 07 May 2020 08:00:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O número de profissionais da saúde infectados no Brasil e no mundo ainda está sendo subnotificado, mas estima-se, de acordo com cálculos realizado pelo Conselho Internacional de Enfermagem, divulgados ontem (06/05), que cerca de 90 mil profissionais já foram infectados em 30 países ao redor do mundo. No Brasil, o Cofen (Conselho Federal de Enfermagem) [&#8230;]</p>
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<p>O número de profissionais da saúde infectados no Brasil e no mundo ainda está sendo subnotificado, mas estima-se, de acordo com cálculos realizado pelo Conselho Internacional de Enfermagem, divulgados ontem (06/05), que cerca de 90 mil profissionais já foram infectados em 30 países ao redor do mundo. No Brasil, o Cofen (Conselho Federal de Enfermagem) lançou a plataforma Observatório da Enfermagem, que aponta mais de 10.000 profissionais infectados no país, até o momento da publicação deste post.</p>



<p>Qual é o papel da tecnologia diante de um cenário tão desolador? Para muitos desses profissionais, afastados das famílias, completamente isolados e correndo riscos diariamente no contato com pessoas infectadas, ela é uma grande aliada. Seja para diminuir a distância de quem está longe, seja para receber mensagens de apoio e carinho, seja como simples fonte de informação e entretenimento. O celular se tornou um grande companheiro.</p>



<p>Conversamos com algumas pessoas que estão enfrentando a pandemia de frente e nos próximos dias vamos falar sobre conexão e solitude em meio a idas e vindas de hospital. Como é a relação desses profissionais com a internet em meio à realidade que estamos vivendo? E como podemos apoiá-los também pelo digital?</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O digital como forma de reduzir sofrimentos</strong></h4>



<p>Atuando há mais de um mês na linha de frente de um dos centros de referência para pacientes infectados pelo coronavírus em São Paulo, o médico Paulo Siqueira Amaral ressalta que o isolamento durante a internação é uma das partes que traz mais sofrimento aos pacientes. &#8220;Essa falta da família ao lado do paciente tem um impacto tanto na internação quanto na prática médica, uma vez que precisamos passar informações e discutir o caso com familiares por telefone. É algo muito difícil. Conversar, aliviar angústias ou confortar sem ver expressões, olhares e até muitas vezes encostar. O uso de celulares ajuda a reduzir esse sofrimento.&#8221;</p>



<p>No dia a dia, plataformas como Facetime, Zoom, Google Hangout têm ajudado o médico a reduzir um prejuízo na parte acadêmica. Ele também passou a se expressar mais nas redes sociais. &#8220;Nunca fui de postar opiniões, mas a partir do momento em que muita informação de fontes dúbias e fake news estavam sendo publicadas, achei pertinente publicar conteúdo relevante e com informações confiáveis.”</p>



<p>Bianka Genovez, biomédica que trabalha em um laboratório de pronto atendimento de um hospital em Jacareí, no interior de São Paulo, conta como tem sido o dia a dia. “É bem difícil manter a sanidade, ainda mais com tanta notícia ruim e total descaso de algumas pessoas. Tento me distrair com filmes e séries e me desconectar das notícias às vezes. Até mesmo de algumas redes sociais para não ver pessoas desacreditando da pandemia, enquanto eu fico paranóica com medo de me infectar ou, pior, levar a doença para os meus pais.”</p>



<p>Dados mostram que o isolamento social está afrouxando, e os índices de infectados e mortos não dão trégua. Nesse cenário, Bianka faz um pedido. “Pensem em quem realmente precisa sair de casa, como os profissionais da saúde. Quanto mais pessoas doentes em hospitais, estaremos mais expostos e correndo risco de adoecer e ver os hospitais ficando super lotados e com escassez de funcionários.”</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O combate à outra “pandemia”: as fakenews&nbsp;</strong></h4>



<div class="wp-block-image"><figure class="alignleft size-medium is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://www.ainternetqueagentequer.com/wp-content/uploads/2020/06/03-240x300.png" alt="" class="wp-image-1288" width="245" height="306" srcset="https://www.ainternetqueagentequer.com/wp-content/uploads/2020/06/03-240x300.png 240w, https://www.ainternetqueagentequer.com/wp-content/uploads/2020/06/03-819x1024.png 819w, https://www.ainternetqueagentequer.com/wp-content/uploads/2020/06/03-768x960.png 768w, https://www.ainternetqueagentequer.com/wp-content/uploads/2020/06/03-1229x1536.png 1229w, https://www.ainternetqueagentequer.com/wp-content/uploads/2020/06/03-1638x2048.png 1638w, https://www.ainternetqueagentequer.com/wp-content/uploads/2020/06/03-600x750.png 600w" sizes="(max-width: 245px) 100vw, 245px" /></figure></div>



<p>&#8220;Uma consequência interessante da pandemia é que a sociedade está sendo forçada a usar a tecnologia e, principalmente, a internet da maneira que as cabeças que a criaram sonhavam: para trocar informação, recursos e construir, coletivamente, soluções para problemas urgentes&#8221;, diz Mariana Perroni, médica intensivista.</p>



<p>Ela já trabalhou nos sistemas público e privado, no Brasil e fora também &#8211; até em hospitais de campanha em situação de catástrofe, como no Haiti após o terremoto de 2010. &#8220;Ainda assim, nada se compara à pandemia de Covid-19: temos um vírus extremamente contagioso que pode, inclusive, ser transmitido por pessoas assintomáticas e para o qual não existe vacina nem tratamento medicamentoso. Nenhum sistema de saúde em nenhum país é configurado para lidar com a demanda que esse combo traz&#8221;, diz.</p>



<p>Mariana se juntou ao conselho científico de uma iniciativa sem fins lucrativos, o Brasil Sem Corona (www.brasilsemcorona.com.br/), que visa promover o rastreamento colaborativo da pandemia pela própria população, usando seus smartphones. &#8220;Quando a sociedade começa a colocar dados de sintomas, localização e casos por meio de um aplicativo, conseguimos mapear a pandemia com mais agilidade, entender quais regiões com risco de surtos e pioras e, assim, ajudar prefeituras e o governo a tomar medidas mais ágeis e adequadas à necessidade e às peculiaridades de cada região.&#8221;</p>



<p>Em um enfoque mais pessoal, ela conta que faz videochamadas para reduzir a distância dos amigos e dos pais, que não vê desde o início de março. &#8220;Eles já passaram dos 65 anos e meu pai, inclusive, está se recuperando de um câncer. Não consigo nem conceber a possibilidade de ser vetor do vírus.&#8221; A médica também usa o Twitter para trocar experiências. &#8220;Mais do que nunca, médicos têm um dever ético e legal de disseminar informação de qualidade sobre saúde na internet. Porque só assim conseguimos combater uma outra &#8216;pandemia&#8217; gravíssima que vivemos: a das fake news.&#8221;&nbsp;</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Tecnologia como aliada de pacientes e familiares</strong></h4>



<p>Para os pacientes em tratamento de Covid-19, a tecnologia também é aliada, conta a médica intensivista Mariana Perroni. &#8220;Deixamos o uso de smartphones liberado para os que não se encontram em situação grave e até ajudamos os idosos que não têm tanto traquejo digital a se manterem conectados com suas famílias. Além dos remédios, isso também é um item fundamental na prescrição.&#8221;&nbsp;</p>



<p>A médica explica que vídeo chamada de despedida não é praxe porque, devido ao enorme comprometimento pulmonar, os pacientes com casos graves costumam estar entubados e sedados. Por outro lado, se percebem que o desconforto respiratório está evoluindo e a intubação será inevitável, as equipes fazem o possível e o impossível para proporcionar uma chamada de vídeo para que o paciente possa conversar com sua família. &#8220;Como sabemos que essa pode ser a última chance, é impossível não se emocionar.&#8221;</p>



<p>A médica conta que, por mais que o sacrifício seja enorme, &#8220;é extremamente gratificante estar de N95 (a máscara mais recomendada) usando nosso conhecimento à beira do leito e respondendo ao chamado mais intenso de nossas carreiras e, possivelmente, de nossas vidas.&#8221; Ressalta, no entanto, que todos os profissionais da saúde na linha de frente também são vulneráveis à infecção. &#8220;Então, mais do que palmas na janela ou sermos chamados de heróis, o que queremos mesmo é a certeza de que vamos ter equipamentos de proteção e ferramentas para conseguir continuar fazendo nosso trabalho e ajudando quem precisa.&#8221;</p>



<p>Mariana aproveita para compartilhar o recado: &#8220;Para as pessoas que insistem em quebrar o isolamento social, que é a única medida com eficácia comprovada nesse momento, só digo uma coisa: sem dados, somos apenas pessoas com opiniões. E eu me preocupo demais quando opiniões se sobrepõem à ciência e acabam fomentando posturas e declarações questionáveis. Pois o saldo disso são vidas.&#8221;&nbsp;</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Quem cuida de quem cuida?&nbsp;</strong></h4>



<p>Este não é um momento fácil para ninguém, mas a carga dos profissionais da saúde está ainda mais pesada.&nbsp;</p>



<p>Fernanda Rebouças (@suspiro_psi), psicóloga clínica que atua no Núcleo de Apoio à Saúde da família (Nasf), desabafa: “Tenho visto muitos profissionais sofrendo, são sentimentos que transitam entre raiva, tristeza, desânimo, paralisia, revolta. Esses sentimentos geralmente dizem respeito: 1) ao cenário político em que o país se encontra e os efeitos nefastos desse processo sobre a pandemia; 2) ao contexto social, onde grande parte das pessoas está em negação dos reais riscos de contaminação e agem de maneira divergente das orientações dadas, o que faz com que os profissionais sintam-se ainda mais expostos e injustiçados; 3) à situação de trabalho, que envolve restrição/escassez de EPI´s, conflitos interpessoais e exposição ao risco de contaminação; 4) à dimensão da vida pessoal, pois também estamos vivendo o distanciamento dos lugares, atividades e pessoas que nos davam sentido.“&nbsp;</p>



<p>Com o auxílio da psicóloga, separamos algumas dicas sobre como podemos apoiar esse grupo de pessoas e também selecionamos dicas de autocuidado focadas em quem trabalha na área da saúde (mas que podem ser úteis para todos). Confira:</p>



<p><strong>1- Apoio institucional é um direito</strong></p>



<p>É necessário que as gestões das instituições e sistemas de saúde reflitam sobre as melhorias necessárias no processo de trabalho dos profissionais. Podemos ajudar com pressão popular, por meio do site: <a href="https://www.maisdoquepalmas.com.br/">www.maisdoquepalmas.com.br</a></p>



<p><strong>2- Redes de apoio online</strong></p>



<p>Existem iniciativas de cuidado online voltadas para o atendimento psicológico e suporte. Uma delas é a <a href="https://www.rededeapoiopsicologico.org.br/">rededeapoiopsicologico.org.br</a>, voltada para conectar profissionais que precisam de ajuda ou querem atender gratuitamente os seus colegas.&nbsp;</p>



<p><strong>3- Esteja atento às “notificações” do seu corpo</strong></p>



<p>Nosso corpo também se comunica o tempo inteiro. Precisamos ficar atentos a esses sinais e oferecer o que ele precisa, na medida do possível. Aproveite o banho para se fazer uma massagem, apertar onde dói, alongar, fazer alguma atividade física, se alimentar bem, se espreguiçar.&nbsp;</p>



<p><strong>4- Entre em contato com seus sentimentos</strong></p>



<p>Não é fácil vivenciar&nbsp; tantos sentimentos difíceis e, ao mesmo tempo, lidar também com o sofrimento de pacientes e familiares. Pode ajudar muito buscar entender e nomear o que se está sentindo,&nbsp; se expressar de alguma forma, chorar, escrever, dialogar com ele ou com alguém próximo.&nbsp;</p>



<p><strong>5- A internet como aliada</strong></p>



<p>Nesse período ajuda muito manter conexões genuínas, que nos permitam dividir emoções, nos sentir pertencentes e acompanhados. Faça uma ligação, mande um comentário ou mensagem, ligue à moda antiga. E, quando as telas não forem suficientes, tente acessar as memórias afetivas com quem você ama.&nbsp;</p>



<p><strong>6- Cuidado com os excessos</strong></p>



<p class="has-normal-font-size">Precisamos estar atentos à superexposição às notícias. Busque preencher seu dia com atividades que ajudem a se  conectar com o concreto, com o que você pode realizar, com o lugar que você vive, mesmo que seja apenas a sua casa. Tudo isso ajuda a estar presente, que é o principal recurso para regular as emoções, sem sofrer na busca de retorno do mundo antes da pandemia, nem com a expectativa de que tudo isso acabe logo. </p>



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<p class="has-large-font-size"><strong>“Se eu pudesse, ficaria em casa, mas escolhi me dedicar ao próximo”</strong></p>
</div></div>



<p>&#8220;Doutora, eu vou poder ver minha família?&#8221;. Essa é a pergunta mais difícil que Rachel Businaro, médica, tem ouvido nos últimos tempos. Ela está na linha de frente na UBS Jardim Maia e no plantão do Pronto Socorro Sistemas Respiratórios do Hospital Salvalus, ambos na zona leste de São Paulo, e acompanha de perto o dia a dia da evolução do caos da Covid-19 no Brasil.</p>



<p>A médica trabalha 40 horas por semanas na UBS e faz de 12 a 24 horas de plantão por semana no PS. &#8220;O mais impactante até o momento para mim é lidar com o desespero dos pacientes. Quando falo que não teve resposta após o oxigênio e a medicação, que precisa ser internado, imediatamente vejo o pânico no olhar dessas pessoas.&#8221;</p>



<p>Rachel nos conta sobre como o mundo digital tem ajudado nesse período. &#8220;A internet me ajuda tanto na distração para momentos de relaxamento quanto para encurtar distâncias via Whatsapp e Instagram. Falo com minha família e amigos diariamente, seja por grupo, seja individualmente, muito mais do que antes da pandemia.&#8221; Mas a exaustão é uma constante. &#8220;Às vezes não consigo dormir pensando em como aquele paciente evoluiu, às vezes choro quando recebo a notícia de que faleceu. <br><br>Mas respiro fundo, tomo banho, tomo um chá, tento assistir um filme ou uma série para distrair a mente, converso com pessoas que amo e, quando o medo aperta, entro em contato com minha fé, agradeço pela vida e peço para que tudo acabe logo&#8221;, desabafa.</p>



<p>Ela aproveita para fazer um importante pedido. &#8220;Se você tem a oportunidade de poder fazer home office, fique em casa. Se você tem a oportunidade de tirar férias, fique em casa. Se você está desempregado ou é estudante, fique em casa. Se eu pudesse, ficaria em casa, mas escolhi me dedicar ao próximo e não vou fugir da luta no momento em que mais precisam. Então fique em casa por mim, fique em casa por nós. <br><br>Não sei qual é a sua fé, não sei qual é o seu partido político ou qual foi o seu voto na última eleição. Não me importa. O que me importa é a vida e o tanto de oportunidades que tem nela.&#8221;</p>
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