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Amor de algoritmo: estamos romantizando migalhas virtuais?

Leia em tom romântico: “ele/ela olha todos os meus stories!”, “sempre curte as minhas fotos”, “me responde tão rápido…”. Quem nunca ouviu – ou falou, rs – frases como essas pra tentar justificar um suposto flerte ou interesse de alguém, com base em interações nas redes sociais? O que na nossa cabeça seria uma troca romântica pode ser apenas a plataforma fazendo o que sabe de melhor: usando o algoritmo para mapear suas interações favoritas e mais comuns. É sobre isso que queremos conversar: o “amor de algoritmo” tem nos feito romantizar migalhas virtuais? Como medimos o afeto por aqui?
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Em 2019, uma pesquisa realizada com jovens de 14 a 24 anos pela Royal Society for Public Health, organização de saúde pública do Reino Unido, apontou que o Instagram é a rede social que mais influencia no sentimento de pertencimento e afetividade para esse grupo, ao mesmo tempo que também é a que mais desperta as sensações de ansiedade e solidão. Se estamos tão conectados e recebemos tantos estímulos de “afeto”, como ainda podemos nos sentir sozinhos e ansiosos quando o assunto é relacionamento? A resposta está no algoritmo, que lê as nossas interações mais frequentes e garante que elas mantenham um padrão constante e pareçam espontâneas – e a resposta também está em como a nossa mente interpreta essas interações. Apesar de likes, comentários e “Oi, sumida!” despertarem no nosso cérebro sensações muito semelhantes a uma interação real, elas nem sempre são capazes de construir segurança e reciprocidade.
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Isso não significa que todas as trocas afetivas por aqui são uma farsa. A internet pode ser um lugar incrível para conhecer gente nova e desenvolver relações sólidas de amor e amizade. Para que isso aconteça, precisamos aprender a diferenciar migalhas virtuais de conexões genuínas. 

Like mede afeto?

Com certeza você já leu a célebre máxima: “Vivemos em tempos líquidos. Nada é pra durar”. Nela, o sociólogo Zygmunt Bauman faz uma analogia às novas dinâmicas de relacionamento impulsionadas pela modernidade e pelas mídias digitais de interação. Na tese, ele ressalta que os relacionamentos foram substituídos por conexões em que, na maioria das vezes, o foco é a instantaneidade e o esvaziamento do sentido.
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Para provar que o pensamento de Bauman não se distancia tanto da nossa realidade, propomos um exercício. Responde pra gente: quantas vezes você já teve a impressão de se sentir mais amado, querido ou validado depois de uma série de likes, comentários positivos ou qualquer outra interação virtual, por mais líquida/passageira/comum que ela fosse?
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Nas redes sociais o like é moeda pra muita coisa. Nos diz sobre o nosso engajamento e a nossa audiência, pode ser um ativo interessante na hora de fazer negócios e pode, inclusive, ditar a forma como lidamos com a nossa própria autoestima. E quando o assunto é sentimento, será que o like é capaz de medir o nosso afeto?
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Na #ainternetqueagetequer nós gostamos de imaginar que o que fazemos online é sempre um chamado para um mergulho mais profundo: e se o “curtir” fosse apenas um convite para novas conexões, e não um fim em si mesmo? Será que se nós conseguíssemos demonstrar afeto de forma mais concreta e transparente por aqui deixaríamos de dar tanta bola pra migalhas virtuais? No álbum separamos alguns insights sobre como demonstrar afeto online pra você levar em conta na hora de assumir que só um like – ou a falta dele – significa, necessariamente, demonstração ou falta de carinho.
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Queremos saber: você já se pegou questionando algum relacionamento pela falta de interações nas redes sociais? Pra você, like mede afeto?

4 princípios da responsabilidade afetiva na internet

Há quem acredite que as redes sociais fizeram a gente desaprender a flertar, mas por aqui nós temos outra hipótese: as inúmeras possibilidades da internet e a superficialidade de como encaramos as nossas conexões nos fizeram afrouxar as regras de responsabilidade emocional com o outro. E já diria o meme: “Essa boquinha aí só beija ou também tem responsabilidade afetiva e deixa tudo claro desde o início?”.
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Além da perspectiva romântica, a responsabilidade afetiva é imprescindível em todos os contextos de relacionamento: no trabalho, nas amizades, com a família. E não seria diferente na internet, especialmente porque nesse espaço nossas interações se desenvolvem em um outro ritmo, quase sempre mais acelerado.

De maneira geral, ser responsável afetivamente é manter a transparência, a empatia e a honestidade nas nossas relações interpessoais – dentro e fora da internet. Para ajudar, separamos no álbum alguns princípios da responsabilidade afetiva inspirados pelo livro “A reinvenção da intimidade: políticas do sofrimento cotidiano”, do psicanalista Christian Dunker.

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